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Experiências da ditadura militar nortearam o bate-papo de Ignácio de Loyola Brandão

O público lotou os mais de 300 lugares do “Espaço Cine Fliv” parou para ouvir o autor falar sobre “A palavra cidadã”

Há exatamente 50 anos, a ditadura militar estourava no Brasil, fazendo com que jornais, revistas, escritores, pensadores e parte da classe artística fossem alvo de censura e perseguição. Foi com essa lembrança que o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão começou o “Bate-Papo com Escritores” da quarta edição do Fliv – Festival Literário de Votuporanga, no dia 07 de agosto.
O público, que lotou os mais de 300 lugares do “Espaço Cine Fliv”, parou para ouvir o autor falar sobre o tema proposto para a noite, “A palavra cidadã”. O curador literário do Fliv 2014, o poeta e jornalista Heitor Ferraz Mello, abriu a mesa comentado sobre as várias obras de Loyola, entre elas, “Zero”, uma das mais notórias e marcantes para o escritor.

Mello ainda apresentou os livros “Não verás país nenhum”, “O verde violentou o muro” e o mais recente lançamento de Loyola, “Solidão no fundo da agulha”, reunião de crônicas com atmosfera musical, ilustrado com fotos de Paulo Melo Jr., acompanhando por um CD com músicas interpretadas por sua filha, Rita Gullo.

Censura - Com uma trajetória de quase 50 anos atuando como jornalista e escritor, Loyola recordou o começo de sua carreira como jornalista no extinto “Última Hora”, no final da década de 60, coincidindo com os anos difíceis da repressão militar. “Naquela época a redação tinha um membro incomum, o ‘censor’, que era a pessoa encarregada de revisar todo o material e garantir que não houvesse nenhum conteúdo inadequado”, comentou o escritor.

A partir disso, ele começou a guardar em uma gaveta da redação todos os conteúdos que eram vetados, surgindo assim, muitos recortes de notícias e histórias que, de certa forma, chamavam sua atenção. Mais tarde, esses recortes ganharam vida nas páginas de seu romance “Zero”, retratando a situação vivida no Brasil naquela época. “O livro foi recusado em diversas editoras que não queriam publicar algo com um conteúdo tão pesado para aqueles 25 anos tenebrosos”, contou Loyola.

Por essa razão, seu livro foi publicado primeiro na Itália há exatos 40 anos e traduzido por seu amigo e romancista italiano, Antonio Tabucchi. “Zero” só ganhou exemplares no Brasil anos depois. Loyola lembrou ainda um fato curioso sobre a obra: “quando ‘Zero’ foi publicado no Brasil e depois censurado, ele se tornou uma raridade. Havia versões xerocadas e datilografadas”.

E depois de quase duas horas de bate-papo, o mediador do encontro Heitor Ferraz Mello convidou o público a se dirigir ao “Espaço das Livrarias”, na Praça da Matriz, onde Brandão estaria à disposição para autografar seus livros.


4º FESTIVAL LITERÁRIO DE VOTUPORANGA
De 1º a 10 de agosto 


www.flivotuporanga.com.br

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