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Paulo Lins e Luiz Ruffato abordam o retrato do Brasil na literatura contemporânea

Ruffato acredita que a literatura contemporânea brasileira nunca esteve tão bem; Lins vê a cultura como uma das coisas mais importantes da vida

Em um país à margem, como se encontra a atual produção literária brasileira? Para responder a esta indagação, o terceiro encontro da série “Bate-Papo com Escritores” do Fliv - Festival Literário de Votuporanga recebeu nesta terça-feira, dia 5 de agosto, os romancistas Luiz Ruffato e Paulo Lins. A mediação do encontro ficou sob a responsabilidade, mais uma vez, de Heitor Ferraz Mello – poeta, escritor, jornalista e curador literário do Fliv 2014.

O tema proposto para este encontro, “A palavra país”, levou os escritores a uma série de reflexões. Para Ruffato, a literatura contemporânea brasileira nunca esteve tão bem em certos pontos. “Hoje temos vários aspectos sendo discutidos. Além de questões cotidianas, a periferia falando para a periferia, encontra-se em um grande momento”. O escritor ainda ressaltou que “apesar de atualmente a maioria dos autores ser mulher – e isso é muito importante -, temos um longo caminho para pensar o que a literatura representa efetivamente na cena brasileira”.

Paulo Lins, que já participou da terceira edição do Fliv e neste ano voltou como patrono e escritor homenageado, concordou com o pensamento de Ruffato, porém, fez uma ressalva. “A presença da literatura na periferia é importante, mesmo sendo pouca. O grupo é mínimo, mas a cultura sempre esteve no meio da pobreza, é impossível não estar”, afirmou o autor do livro “Cidade de Deus”.

Num outro momento do bate-papo, os escritores também concordaram em dizer sobre como a visão de cidadão reflete na visão do escritor. Em “Cidade de Deus”, por exemplo, os personagens que estão na obra são considerados, por ele, filhos da escravidão. “A violência urbana, o racismo existente na polícia, mostrados no livro, entre outras coisas, são resultados de um Brasil colonizado por 200 anos”, comenta Lins. 

Para o fim do encontro, o escritor deixou uma reflexão à plateia. “Vejo a cultura como uma das coisas mais importantes que se têm na vida. Pode parecer mentira, mas talvez seja ela que salvou os negros da escravidão”, finaliza. 

A série de “Bate-Papo com Escritores” continua ao longo da semana, com a participação de nomes como Ignácio de Loyola Brandão, Ronaldo Correia de Brito, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira, além dos roteiristas Fernando Bonassi e Luiz Bolognesi e do músico Marcelo Yuka.

Programação Bate-Papo com Escritores

Dia 07 de agosto, quinta-feira
Horário: 19h30
Local: Espaço Cine FLIV
A palavra cidadã – com Ignácio de Loyola Brandão
Mediação: Heitor Ferraz Mello
Há 40 anos, o escritor Ignácio de Loyola Brandão lançava, na Itália, o romance “Zero”, que trata da repressão e do desejo de liberdade. Neste encontro, ele vai falar sobre seu livro e os 50 anos do Golpe Militar, no Brasil.
Ignácio de Loyola Brandão é escritor e jornalista. Considerado um dos mais importantes escritores do país, ele já publicou vários livros, entre romances, contos e crônicas. É autor, entre outros, de “Bebel que a cidade comeu”, “Zero”, “Não verás país nenhum” e “O verde violentou o muro”. Seu mais recente lançamento é o livro de memórias “Solidão no fundo da agulha”, com fotos de Paulo Melo Jr. e um CD com canções interpretadas por sua filha Rita Gullo.

Dia 08 de agosto, sexta-feira
Horário: 17h
A palavra mixada - com Marcelo Yuka
Local: Espaço Cine FLIV
Mediação: Paulo Lins
Com forte poder de comunicação, a poesia e a música de Marcelo Yuka retratam a vida vertiginosa das grandes cidades. Neste encontro, Yuka vai falar da sua música como pauta das lutas sociais e também sobre os principais momentos de sua carreira.

Dia 09 de agosto, sábado
Horário: 17h
Local: Espaço Cine FLIV
A palavra projetada – com Fernando Bonassi e Luis Bolognesi
Mediação: Heitor Ferraz Mello
A palavra recriada pelo mundo das imagens, nas telas do cinema e da televisão. Para falar sobre a influência da literatura nos roteiros cinematográficos, esta mesa reúne o escritor e roteirista Fernando Bonassi e o roteirista e diretor de cinema Luiz Bolognesi.
Fernando Bonassi é escritor, dramaturgo e roteirista. Publicou, entre outros livros, “Um Céu de Estrelas”, “Subúrbio”, “Passaporte” e “Prova Contrária”. É também corroteirista dos filmes “Os Matadores” (de Beto Brant), “Através da janela” (de Tata Amaral), “ Castelo Rá Tim Bum” (de Cao Hamburguer), e “Estação Carandiru” (de Hector Babenco). Criou e desenvolveu, em parceria com Marçal Aquino, os seriados "Força Tarefa" e "O Caçador", para a Rede Globo de Televisão. Luiz Bolognesi é roteirista e diretor de cinema. É dele o roteiro do filme “Bicho de Sete Cabeças” e “As melhores coisas do mundo”, ambos com direção de Laís Bodanzky. Como diretor, assina a animação “Uma história de amor e fúria”. Seu trabalho mais recente é “Amazônia”, de Thierry Ragobert, e o documentário “Educação.doc”, em parceria com Bodanzky.


4º FESTIVAL LITERÁRIO DE VOTUPORANGA
De 1º a 10 de agosto 

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